Saldo da balança cresceu 35,8% em relação a 2024 tarifas norte-americanas reduziram embarques, mas alta nas vendas para a China compensou perdas.
A balança comercial brasileira encerrou agosto com superávit de US$ 6,133 bilhões, informou nesta quinta-feira (4) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O resultado representa crescimento de 35,8% em relação ao mesmo mês de 2024, quando o saldo havia ficado em US$ 4,5 bilhões.
As exportações totalizaram US$ 29,86 bilhões, um avanço de 3,9% sobre agosto do ano anterior. Já as importações registraram a primeira queda de 2025, recuando 2%, para US$ 23,72 bilhões, reflexo da desaceleração da atividade econômica sob juros elevados.
O desempenho do mês foi impactado pela entrada em vigor da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros no mercado dos Estados Unidos, a partir de 6 de agosto. As vendas para o país norte-americano caíram 18,5%, reduzindo sua fatia no total exportado de 11,8% para 9,3%. Entre os itens mais afetados estão aeronaves (-85%), açúcar (-88%), carne bovina (-46%), minério de ferro (-100%) e celulose (-23%).
Apesar da retração para os EUA, a China ampliou sua participação para 32,1% das exportações brasileiras, contra 25,7% em agosto de 2024. Os embarques para o gigante asiático cresceram 29,9%, impulsionados principalmente pelo setor extrativo e pela agropecuária.
No recorte por setores, a indústria extrativa liderou o crescimento, com alta de 11,3% (US$ 7,3 bilhões), seguida pela agropecuária, que avançou 8,3% (US$ 6,7 bilhões). Já a indústria de transformação registrou leve queda de 0,9% (US$ 15,8 bilhões).
Globalmente, destacaram-se as altas de 18% nas vendas de petróleo bruto, 17,9% de milho, 56% de carne bovina e 55,9% de ouro. Em contrapartida, houve retração de 22,4% no farelo de soja, 18,1% em óleos combustíveis e 16,1% em açúcares e melaços.
No acumulado de janeiro a agosto, o saldo comercial somou US$ 42,81 bilhões, uma queda de 20,2% em comparação ao mesmo período de 2024. As exportações atingiram US$ 227,58 bilhões (+0,5%) e as importações US$ 184,77 bilhões (+6,9%), ambos recordes históricos para o intervalo.