Meninas representam 61% dos casos e são as principais vítimas de exploração sexual; Rio Grande do Sul lidera taxa de desaparecimentos por 100 mil habitantes.
Todos os anos, mais de 1,2 milhão de crianças desaparecem no mundo, e o número vem crescendo progressivamente nos últimos anos. No Brasil, somente em 2025, 23.919 crianças e adolescentes foram registrados como desaparecidos, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
Na prática, isso significa que, em média, 66 crianças desaparecem diariamente no país, número que representa um aumento em relação a 2024, quando a média era de 60 desaparecimentos por dia.
A maioria das vítimas são meninas, totalizando cerca de 14,6 mil casos (61%), grupo mais vulnerável à exploração sexual. Levantamentos apontam que aproximadamente 60% das meninas vítimas de tráfico humano foram encaminhadas para exploração sexual em 2024.
Estados com maiores taxas de desaparecimento
Os desaparecimentos ocorrem em todo o território nacional, mas alguns estados apresentam índices mais preocupantes. São Paulo concentra cerca de um quarto de todos os casos, porém sua taxa é de 8,6 crianças desaparecidas a cada 100 mil habitantes, abaixo de outras unidades da federação.
O cenário mais crítico aparece no Rio Grande do Sul, com 24,12 desaparecimentos por 100 mil habitantes, seguido por Roraima (19,5) e Santa Catarina (18,6).
Segundo o Sinesp, considera-se desaparecida “toda pessoa cujo paradeiro é desconhecido, independentemente da causa”. Comparando com o período pré-pandemia, houve um aumento de mais de 25% nos casos de desaparecimento, especialmente ligados a tráfico humano e exploração de trabalho infantil.
O tráfico para trabalho análogo à escravidão cresceu 47%, enquanto a criminalidade forçada passou de 1% em 2016 para 8% em 2022. Entre as vítimas, 60% das meninas sofreram exploração sexual, enquanto 45% dos meninos foram submetidos a trabalhos forçados.
O impacto da cultura e do cinema
A exploração sexual infantil ganhou atenção internacional com o lançamento do filme “O Som da Liberdade”, baseado na história real do ex-agente americano Tim Ballard, que deixou o governo dos EUA para criar uma ONG de resgate de crianças vítimas de tráfico.
O filme gerou polêmica, sendo acusado por alguns setores de apresentar narrativa conspiracionista. Para reforçar a veracidade de seu trabalho, Ballard também participou do documentário “Guerra Oculta”, que acompanha operações reais de resgate infantil.