Ex-gestor é intimado a apresentar provas ou fundamentar denúncias sobre supostos desvios de R$ 308 milhões; Estado defende legalidade do contrato.
A Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso (PGE-MT) entrou com uma interpelação judicial contra o ex-governador Pedro Taques (PSB) após ele divulgar uma série de vídeos em suas redes sociais com alegações de corrupção e ilegalidades envolvendo um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi S.A.
Na interpelação, o Estado solicita que Taques esclareça oficialmente suas declarações e apresente documentos que comprovem suas afirmações. O objetivo é determinar se as acusações possuem fundamento documental ou se se tratam de opiniões pessoais, além de verificar se as denúncias foram levadas aos órgãos de controle, como o Ministério Público Estadual ou o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).
Nos vídeos, Taques afirma que o acordo, celebrado em abril de 2024, teria sido realizado de forma sigilosa e “fora da lei”, e que teria causado prejuízo de mais de R$ 308 milhões aos cofres públicos. Ele ainda menciona a suposta atuação de uma “organização criminosa” e faz referência a indícios de lavagem de dinheiro no pagamento de precatórios, além de criticar duramente a negociação como parte de uma “facção dos inhos”.
Em resposta, a PGE-MT defende que o acordo foi legal, transparente e homologado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O órgão também destaca que o Ministério Público de Contas (MPC) emitiu parecer favorável à negociação, não identificando irregularidades. Segundo a Procuradoria, as declarações de Taques ultrapassam o debate político e atingem a honra dos procuradores e a imagem institucional do Estado.
A interpelação é uma medida preparatória: após a resposta formal do ex-governador, a PGE poderá avaliar se há base para ações por danos morais ou queixas-crimes contra ele.
Outro lado
O ex-governador informou que ainda não foi oficialmente citado, mas afirmou que apresentará os documentos necessários no momento da interpelação judicial.