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Sorriso/MT - 18/01/2026 12:42

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Superlotação: pastor morre após esperar sete dias por vaga em UTI em MT

Mesmo com decisão judicial, paciente com AVC não foi transferido e morreu em UPA em Cuiabá; SES afirma que 98% dos leitos estão ocupados.

A luta por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) terminou de forma trágica para a família do pastor evangélico e mecânico Luciano Ribeiro, de 56 anos, que morreu na noite de sábado (2), após esperar sete dias por transferência na UPA do bairro Jardim Leblon, em Cuiabá. Mesmo com decisão judicial determinando remoção em até 48 horas, o paciente permaneceu internado em estado grave até o óbito.

Luciano foi internado em 26 de julho, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), quadro que exige atendimento intensivo imediato. Ainda no mesmo dia, ele foi intubado. Sem estrutura especializada, sua saúde se deteriorou rapidamente.

Com o auxílio da Defensoria Pública, a família obteve liminar da Justiça no dia 28, ordenando a transferência do paciente em até dois dias. Diante do não cumprimento, o prazo foi estendido por mais 24 horas por uma juíza substituta. No entanto, a remoção nunca ocorreu.

“O mínimo que ele merecia era dignidade e a chance de lutar pela vida”, lamentou a irmã Fabiana Ribeiro, de Rondonópolis.

De acordo com a família, Luciano desenvolveu complicações como insuficiência renal e feridas pelo corpo, causadas pela longa permanência em um box improvisado. “Os médicos fizeram o que podiam, mas não tinham os recursos necessários”, disse Fabiana.

A irmã Fernanda Ribeiro, que mora em Goiânia, descreveu Luciano como um homem íntegro, religioso e dedicado à família. Ele era o filho mais velho do casal Anísia e Orivaldo (ambos falecidos), e atuava como pastor e mecânico em Cuiabá.

98% dos leitos de UTI ocupados em Mato Grosso

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) afirmou, em nota, que fez todos os esforços para conseguir vaga na rede pública e privada, mas não obteve êxito. Mato Grosso conta atualmente com 829 leitos de UTI pelo SUS, dos quais 98% estão ocupados. A maior pressão se dá em especialidades como neurologia, cardiologia e vascular.

A SES também informou que o novo Hospital Central de Alta Complexidade está em fase final de construção e deve ampliar a capacidade de atendimento intensivo no estado.

Pedido de prisão e denúncias

Diante do descumprimento da decisão judicial, a Defensoria Pública solicitou a prisão do secretário estadual de Saúde. A família também encaminhou denúncias ao Ministério Público e à Ouvidoria do SUS, mas afirmou que não recebeu retorno até o momento da publicação desta reportagem.

“Queremos que essa dor sirva de alerta. Que vidas não sejam negligenciadas e que o direito à saúde e à vida seja respeitado”, afirmou Fernanda Ribeiro.

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